quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Candidato a Papai Noel ou a presidente?


Foi preciso o limiar das vésperas do Natal e de um ano eleitoral para que José Serra finalmente colocasse o ABCD na agenda. Mas a visita do governador a Diadema não encurta o tempo de espera da população pelo corredor de trólebus até o Morumbi, na Capital. Foram 23 anos de promessas vazias e protelação de datas pelos vários governantes do PSDB. Para se ter idéia desse tempo, há 23 anos não havia internet, as preocupações ambientais não eram tão gritantes e o trânsito na Grande São Paulo não estava na iminência de travar.

Há mais de 20 anos, o Brasil ainda esperava por eleições diretas para presidente e José Serra não se intimidou em lembrar, durante o lançamento da obra, que o projeto foi desenvolvido durante a gestão do governador Franco Montoro, pela Secretaria de Planejamento, pela qual ele era responsável.

O descaso do governador Serra com as demandas do ABCD transparece também na educação e na saúde. Quem não se lembra dele mandando o prefeito de Mauá matar a chineladas as baratas da UTI do Hospital Nardini? Aliás, o PSDB alimenta rejeição histórica pela região. Nos oito anos de governo FHC perdemos riquezas, ficamos sem investimentos. O empobrecimento custou caro para a população local. O ABCD só voltou a ter o reconhecimento que merece com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Não apenas pelo fato de o presidente ter iniciado a carreira sindical por aqui, mas porque entende a importância econômica da região no contexto nacional.

As obras inauguradas dia 22 de dezembro estão orçadas em R$ 24 milhões e a conclusão está prevista para o segundo semestre de 2010, data mais que propícia para inaugurações com propósito eleitoreiro. Mas esta fórmula há muito está desgastada e o discernimento dos cidadãos aumenta á medida que tem contato com governos progressistas, democráticos e sociais como os estabelecidos em Diadema, São Bernardo e Mauá, sem contar o exemplo do governo federal.

A despeito das intenções político-eleitorais do governador, a extensão do corredor significa desenvolvimento para Diadema e região. Além da possibilidade de geração de emprego e renda, uma vez que o Morumbi se destaca cada vez mais como bairro empresarial, representa melhoria do trânsito e da qualidade do ar. Há de se considerar também que a operação de transporte público de qualidade reduz a sensação de poder e status que o transporte individual ganha dia após dia.

Vale destacar que atualmente o corredor tem 33 km de extensão (São Mateus / Jabaquara) e com a intervenção, passará a 86 km. Também estão previstas a implantação de 12 km de faixas de ônibus e 18 pontos de parada com cinco estações de transferência, que atenderão em média 15 mil pessoas por dia. A visita do governador ainda rendeu assinatura de acordo para elaboração do projeto do Metrô Leve para São Bernardo e São Caetano. Será que teremos de esperar outros 23 anos?

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